Sobre Henrique José de Souza

JHS

Henrique José de Souza

Fundada em Niterói, em 1924, a Sociedade Brasileira de Eubiose tem hoje ramificações em todo o Brasil, assim como em países das Américas do Norte e do Sul e na Europa, além de sócios correspondentes em várias partes do mundo. Porém, sua sede sempre será São Lourenço, cidade que conheceu em 1921 em busca de tratamento da saúde.

Filho de Honorato José de Souza e Amélia Guerra de Souza – esta, parente do grande escritor português Guerra Junqueiro -, o Professor Henrique nasceu em família próspera onde seu pai era armador e empresário teatral, explorando por arrendamento o teatro São João, o mais importante da Bahia e importante local em sua vida.

A infância e primeira parte da adolescência de Henrique transcorreram com algumas apreensões por doenças contagiosas ou acidentes comuns em crianças, como quando teve o peito perfurado por uma das lanças do gradil do jardim da casa onde residia, atual palácio do governo baiano.

INICIAÇÃO NO ORIENTE

Em meados de 1899, apresentava-se no teatro São João um elenco juvenil proveniente das Índias Portuguesas. Henrique assistia aos ensaios e substituiu um dos atores, que adoeceu, contracenando com uma jovem da sua idade, primorosamente educada pelo rico casal português patrono da troupe. A peça baseava-se na mitologia grega. A bela atriz estrangeira, Helena, representava justamente Helena de Tróia. Coube a Henrique representar Ulisses. Apaixonaram-se durante um passeio à fazenda do avô de Henrique, na ilha de Itaparica, fronteiriça à cidade de Salvador, e Henrique fugiu no navio que levava o elenco após o fim da temporada, rumo à Índia, via Portugal.

Em Lisboa, a jovem Helena foi atropelada e morta por uma carruagem. Henrique, que não a acompanhava, seguiu para a Índia sem saber do ocorrido, junto dos padrinhos da moça, mecenas do elenco.

Sua fuga foi consentida pelo seu pai, mas às escondidas de sua mãe que provavelmente não permitiria tal aventura, por mais que fosse importante para sua iniciação e transferência do conhecimento do Oriente ao Ocidente, cultivada ao Norte da Índia e Oeste do Tibete. Tais lugares ou não mais existem, ou não possuem mais valores espirituais, conforme foi anunciado até por S.S. o 31º Buda Vivo, em 1921, ano de seu falecimento e confirmado após a invasão do Tibete pela China comunista em 1950.

Os conhecimentos trazidos para o Ocidente foram deixados em sua Escola Iniciática em graus de aprofundamento e seus os sócios efetivos podem ter contato com as mais de quatro mil folhas de Cartas do Fundador.

Retornando da Índia, sua mãe, católica fervorosa e bem relacionada com o alto clero, internou Henrique no Seminário Santa Tereza com a intercessão do Monsenhor João Gonçalves Cruz e por lá ficou dois anos e meio, saindo devido a um tratamento de saúde e para não mais voltar.

Descobriu sua vocação na Medicina, que fora abandonada no terceiro ano da Faculdade para assumir os negócios da família, comércio de bens e cultura, pois o pai e o irmão que tocava os negócios morreram seguidamente.

Em 1907, casou-se com dona Hercília Gonçalves, que lhe deu 8 filhos: Alberto, Isabel, Alina, Carlos, Alzira, Altair, Selene e Walter. Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, liquidou seus negócios na Bahia, relacionados principalmente com a Europa, e mudou-se para o Rio de Janeiro.

CAMINHO TEOSÓFICO

Em 1916 fundou o centro de estudos Comunhão Esotérica Samyama que se expandiu inclusive com a ajuda da imprensa. Mas em 1919 a dissolveu por perceber que oferecia apenas conhecimento intelectual e o grande público se interessava pelos seus dons psíquicos. Indo para São Lourenço em 1921 em busca de tratamento de saúde, recebeu inspiração para continuar o trabalho.

No dia 10 de Agosto de 1924, dia de São Lourenço, é fundada em Niterói a Sociedade Mental Espiritualista Dhâranâ, que se chamaria Sociedade Teosófica Brasileira em 1928 e finalmente Sociedade Brasileira de Eubiose em 1969.

Junto com o teósofo espanhol Mário Roso de Luna, também advogado, astrônomo, arqueólogo e filólogo, trocou aprendizados entre 1928 e 1931, ano de morte do amigo. Roso de Luna foi sócio número 7 da Sociedade. Henrique traduziu obras de Roso como O Tibete e a Teosofia. Também recebe homenagem com seu nome em uma rua em São Lourenço.

Com o falecimento de sua esposa Hercília em 1931, casa-se com Helena Jefferson de Souza em 1935, com quem teve os filhos Hélio, Selene, Jefferson e Hermés, este que veio a falecer em 1987.

A sete dias de completar 80 anos, no dia 9 de Setembro de 1963, faleceu em São Paulo, onde foi se tratar, mas teve seu sepultamento em São Lourenço conforme desejara. Durante seu cortejo fúnebre, alguém fez soar, em frente à Igreja Matriz, o Hino Nacional, fazendo juz ao que falava.

HOMENAGENS

Em 1983, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou um selo comemorativo do seu centenário de nascimento. Foi homenageado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Recebeu o nome de uma escola pública em Juiz de Fora, onde é patrono da cadeira 9 da Academia de Letras, assim como em São Lourenço. Possui uma sala no Memorial Tancredo Neves, em São Lourenço, ao lado de Milton Campos, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck. Dá nome a uma importante avenida em São Lourenço, no Bairro Carioca.

Sua missão cultural de sábio educador de homens, expandida pelo mundo, visa fazer do Brasil um exemplo de paz, amor e sabedoria, que a Humanidade carece. Estabeleceu um lema para os jovens “Realização através do Caráter e da Cultura”.

Portanto a escolha de Henrique José de Souza para ser o homenageado dando nome a este Concurso se dá em função de sua contribuição como pensador, educador, escritor e grande entusiasta do Brasil, seu povo e de sua cultura.